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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A contribuição dos Assistentes Sociais

O Tráfico de Pessoas reflete o modo como a sociedade se organiza e os valores que a norteiam. Tudo é passível de venda, de comércio, essa é a lógica do capital, essa é a lógica que orienta a rede do tráfico de seres humanos.
Toda essa relação de exploração reflete claramente que este tipo de tráfico é uma das maiores expressões da ação ofensiva do sistema capitalista na vida dos trabalhadores, que precisando sobreviver, são submetidos a condições de migração e trabalho degradantes. Esta situação tende a se agravar em períodos de crise, uma vez que a exploração da classe trabalhadora como um todo aumenta nestas circunstâncias e as respostas do capital são mais ostensivas.
O Projeto Profissional dos assistentes sociais cujos valores e diretrizes são progressistas, democráticos, alinhados com os interesses da classe trabalhadora e conflitantes com as diretrizes impostas pelo projeto societário capitalista contribui com a reflexão das contradições postas pela ordem instituída e, sobretudo engendra em seu horizonte a perspectiva de construção de uma nova ordem societária.
Deste modo, uma vez que os assistentes sociais assumem um compromisso explícito com a classe trabalhadora, é fundamental estar alinhado aos debates que a afetam, como o tráfico de seres humanos. Um dos principais fatores que expressa a confluência da ação do assistente social com este debate é representado nos princípios fundamentais que norteiam a ação do assistente social, ao assumir a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e do autoritarismo, conforme previsto no Código de Ética desta profissão desde 1993.
Esta afirmação ética evidencia para a rede de enfrentamento ao tráfico de seres humanos a grande importância e contribuição deste profissional na defesa e ampliação dos direitos humanos e fundamentais imprescindíveis ao fortalecimento da prevenção e assistência as vitimas desta ação perversa e criminosa, tornando estes profissionais sujeitos fundamentais para o fortalecimento do enfrentamento e debate sobre o Trafico de Pessoas nos diversos setores que atuam.
Embora em muitos casos a prática profissional seja constantemente tensionada pelo poder hegemônico ao exercício contrário do projeto ético-político, o assistente social deve reafirmar seu comprometimento a este projeto, potencializando sua atuação e sua importância enquanto profissional capaz de demandar respostas às necessidades humanas.
Diante de um contexto de mudanças presentes na sociedade contemporânea, com transformações no mundo do trabalho derivadas da reestruturação produtiva passou a ser necessário, segundo Iamamoto (1996), repensar o fazer profissional do Assistente Social, embora ainda seja a questão social o objeto de intervenção.

O objeto de trabalho (...) é a questão social. É ela em suas múltiplas expressões, que provoca a necessidade da ação profissional junto à criança e ao adolescente, ao idoso, a situações de violência contra a mulher, a luta pela terra etc. Essas expressões da questão social são a matéria-prima ou o objeto do trabalho profissional (2000, p.62).

O Trafico de Pessoas é expressão da Questão Social e um grande ataque a dignidade dos seres humanos. Suas causas encontram raízes em uma sociedade marcada pela desigualdade de distribuição de renda, a falta de serviços públicos de qualidade e abrangentes, na desarticulação de políticas sociais e na opressão das mulheres.
Logo, para atender demandas sociais como as que emergem com Tráfico de Pessoas e ampliar as possibilidades de seu enfrentamento, o assistente social deve estar atento à realidade para atuar na formulação e avaliação de propostas de políticas sociais. Sendo também um importante mediador no processo de universalização destas políticas e na defesa dos direitos sociais comprometidos com a classe trabalhadora e que possam ser acessados por ela.

É essencial também a produção de conhecimento em Serviço Social. Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e não só executivo (IAMAMOTO, 2000, p. 20).


É decifrando a realidade dura, porém real do Tráfico de Pessoas e contribuindo para a construção de mecanismos que possibilitem seu enfrentamento, como as politicas sociais e os movimentos sociais, que se irá poder efetivar o direito de viver dignamente e livremente de milhares de seres humanos.